Cartão comemorativo do Dia da Advocacia e do Estudante. A imagem apresenta duas fotos: uma advogada posando com a Carteira da OAB e a mesma profissional durante uma apresentação acadêmica sobre nanoaditivos.

Entre o Direito e a Qualidade Ambiental: a advocacia que estou escolhendo construir

Hoje é Dia da Advocacia. E também é Dia do Estudante. Duas datas que, para mim, nunca estiveram separadas — e talvez seja esse o melhor pretexto para contar, com mais calma, a profissional que venho me tornando.

Uma pergunta que ouço com frequência

Há algum tempo, percebi que uma das perguntas que mais escuto é:

“Mas por que uma advogada faz mestrado e doutorado em Qualidade Ambiental?”

A resposta é simples: porque sou apaixonada por aprender. Sempre gostei de estar onde o conhecimento está sendo produzido, questionado e transformado — esse movimento é o que mais me atrai na vida acadêmica. Foi na universidade que comecei a desenvolver um pensamento arborizado: em vez de seguir uma única linha de raciocínio, aprendi a deixar as ideias se ramificarem, puxando conexões entre áreas que, à primeira vista, pareciam não conversar entre si.

Essa forma de pensar atravessa também a minha advocacia. Atuo nas áreas de Direito Civil, Direito de Família e Direito Contratual, e em todas essas frentes meu trabalho envolve pessoas — pessoas com histórias, experiências, valores e formas únicas de enxergar o mundo. Relações, tomada de decisões, busca por soluções que previnam conflitos e tragam segurança jurídica. É justamente essa visão integrada que encontro também na Qualidade Ambiental, um campo que exige compreender sistemas complexos, conectar diferentes áreas do conhecimento e analisar os impactos de cada decisão.

O que o mestrado (e agora o doutorado) me ensinaram

O mestrado me mostrou como problemas complexos raramente pertencem a uma única área do conhecimento. Questões jurídicas, ambientais, tecnológicas, econômicas e sociais estão cada vez mais conectadas.

Agora, no doutorado, essa visão multidisciplinar se fortalece ainda mais. Conviver diariamente com pesquisadores de diferentes formações amplia meu repertório, desafia minhas certezas e me ensina a analisar os problemas por perspectivas que, muitas vezes, passam despercebidas quando olhamos apenas pelo Direito.

Acredito que é justamente aí que nasce uma boa advocacia: em compreender o contexto em que a lei será aplicada, antecipar riscos, construir soluções consistentes e enxergar possibilidades que vão além do óbvio. Uma boa advocacia também nasce da curiosidade, e é essa curiosidade que permite que o Direito seja parte de estudos multidisciplinares.

Por isso, acredito que precisamos saber ouvir. Ter equilíbrio para compreender diferentes perspectivas, tranquilidade para analisar um problema e sensibilidade para buscar a melhor solução possível para cada realidade.

Da edição genética às questões ASG

Minha pesquisa atual é voltada para edição genética, mas o programa de pós-graduação em que estou inserida é multidisciplinar e me deu a possibilidade de estudar e aprofundar muitos outros temas que envolvem a Qualidade Ambiental. Aproveitando tudo o que aprendi — e aprendo, todos os dias — com colegas das mais diversas áreas, escolhi também me voltar para a agenda das questões ASG (sim, ASG, sem estrangeirismos desnecessários aqui). Um recorte amplo, que me permite trabalhar com pessoas de campos de conhecimento muito diversos e seguir aprendendo constantemente.

No pilar Ambiental, a fronteira da inovação exige um olhar que vai muito além do licenciamento tradicional. É aqui que minha pesquisa com edição genética e biossegurança encontra a realidade dos biomas e dos recursos naturais: gerenciar riscos intergeracionais significa garantir que a introdução de novas tecnologias biotecnológicas não comprometa a estabilidade dos ecossistemas. Na advocacia, atuar nessa frente se traduz em assessorar empresas — especialmente nos setores de engenharia, mineração e agroindústria — a anteciparem impactos ecológicos complexos, transformando conformidade regulatória em verdadeira resiliência socioambiental.

No pilar Social, a discussão esbarra na forma como a ciência e a tecnologia afetam as comunidades e os direitos fundamentais. A qualidade ambiental não existe de forma dissociada da justiça social e do bem-estar humano. Na prática jurídica, isso se reflete na necessidade de desenhar contratos e políticas corporativas que integrem o diálogo com as comunidades, o respeito aos direitos locais e a segurança nas relações de trabalho — assegurando que o desenvolvimento tecnológico e a exploração econômica ocorram com equidade, protegendo populações e profissionais envolvidos.

No pilar de Governança, todos esses fios se conectam. De nada adianta inovação técnica ou discurso sustentável sem estruturas sólidas de tomada de decisão, transparência e conformidade robusta. É o alicerce de governança que permite a uma organização gerenciar riscos a longo prazo e navegar por incertezas regulatórias. Como advogada, atuo na construção dessas bases normativas e éticas para que os clientes não apenas cumpram leis, mas liderem pelo exemplo — transformando a governança em um ativo estratégico que protege a reputação e garante a perenidade dos negócios.

Caminhos que parecem diferentes, mas se conectam

Minha trajetória reúne caminhos que, à primeira vista, parecem distantes entre si: Direito Civil, Direito de Família e Direito Contratual; mestrado e, agora, doutorado em Qualidade Ambiental. Mas, para mim, tudo está conectado.

O contato com diferentes áreas me ensinou a fazer conexões. A olhar para um problema por diferentes ângulos, compreender contextos e perceber que algumas respostas estão justamente no encontro entre diferentes conhecimentos. No fim, cada curso, cada pesquisa e cada conversa acabam voltando para o mesmo lugar: a prática profissional. Continuo estudando porque acredito que conhecimento nunca é excesso — é uma ferramenta para exercer a advocacia com mais responsabilidade, estratégia e propósito.

O caminho que continuo construindo

Hoje, no Dia da Advocacia e no Dia do Estudante, celebro a profissão que escolhi e o caminho que continuo construindo. Um caminho de aprendizado, de perguntas, descobertas e novas perspectivas.

Acredito que há sempre mais para compreender — e que isso também faz parte da profissional que quero ser.